Nilton Travesso

nilton_travessoO ano era 1950. Eu tinha 16 anos e como todo adolescente sonhava. Entre tantos sonhos o maior deles era ser cantor lírico. Tinha aulas de canto e consegui uma vaga no Teatro Municipal de S. Paulo, como comparsa nas temporadas líricas.

O comparsa é apenas um figurante em cena , mas a experiência me dava a chance de assistir à grandes montagens, de graça, ao lado dos meus ídolos – Tagliavini, Gigli, Tebaldi, Mascherini, Del Monaco.Até hoje, nos momentos difíceis de minha vida, recorro à Verdi, Puccini, Mozart – eles me confortam e através de sua música, consigo me reequilibrar.

Entre os horários de aulas no Colégio Sto. Alberto, que eu não tinha o menor problema em cabular, arranjei tempo para fazer um curso de cinema no Museu de Arte Moderna . Era outro dos sonhos, dirigir cinema. Mas a vida tem caminhos difíceis de explicar.

Nessa época, meu pai que eu admirava muito, adoeceu. Durante um ano lutou contra um câncer que o levou aos 41 anos de idade, transformando toda a nossa vida. Sem recursos, me vi transformado pelas circunstâncias em arrimo de família. Tinha mãe e duas irmãs pequenas para cuidar.

Os sonhos foram deixados de lado e parti para enfrentar a realidade .

Tive então a chance de ser um bom office-boy, um eficiente doador de sangue, um assíduo freqüentador clandestino dos estribos do bonde Vila Mariana. Assim eu conseguia dinheiro para pagar o aluguel de nossa casa e estudar a noite, no Colégio Paulistano.

Em 1953,o pai do meu amigo Helio Mugnaini, comentou que Paulo Machado de Carvalho ia abrir uma estação de Televisão e queria pessoas que não tivessem nenhum vínculo com outras emissoras ( TV Tupi e TV Paulista) A TV Record ia promover um curso para profissionais de televisão.

Na época, a Record estava instalada nas dependências do ex Cassino Colonial e quando eu cruzei seus portões para me inscrever nesse curso não sabia que estava a caminho de mudar toda a minha vida.

 

 

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